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As biografias aparentes

Duro, quando sério, paciente se meticuloso, o risco de um erro em cada palavra e frequentemente mal pago, não pago. Numa entrevista que concedeu a um jornal queixou-se disso mesmo. Era, ao lado do seu modesto salário como professora, uma das suas fontes de rendimentos para o frugal quotidiano. 
Ontem na Biblioteca Pública Municipal do Porto encontrei um ficheiro com as obras que traduziu. Já em tempos tinha copiado parte da Biblioteca Pública Municipal de Braga. Estava com pouco tempo mas não hesitei. Uma a uma, completei a lista no blog que lhe dedico. Pode conter imprecisões. Estimar esse esforço é mostrar-me onde errei e o que falta.
Surpreendeu-me, por pura ignorância literária minha e guiado pelas aparências biográficas, que aquela alma diáfana tivesse traduzido Anais Nin, a obra que esta publicou na sua própria editora, em 1944. É dela a fotografia que orna este postal.
Espantou-me que eu tivesse lido Graham Greene e sobre ele escrito sem saber que ela o traduzira.
Confortou-me saber que entre tanta responsabilidade que tenho sobre os ombros, por causa da profissão, tanta preocupação que me cerca por causa do que a vida traz, eu tenha tido aquele trabalho, paciente, meticuloso, gratuito, numa manhã de chuvisco, incógnito, em homenagem a uma escrita que não quero que morra pelo esquecimento dos leitores e por isso desinteresse dos editores.

Os Novos Forsyte


São 20 €. As referências estão aqui: «200366 -GALSWORTHY (John).-OS NOVOS FORSYTE. I . O Macaco Branco. II A Colher de Prata. III O Canto do Cisne. Tradução do 1º e 3º vol. e de Maria Ondina Braga do 2º vol. e de Jorge Rosa. Capa de Alberto Gomes. 3 vols. "Colecção Dois Mundos". Edição Livros do Brasil Lisboa. S.d. B.». Vi aqui no Aprendiz de Bibliófilo.
Coitada da Maria Ondina que se matou a trabalhar em traduções. Deste e de tantos outros livros. Quantas vezes mal recebendo, como se queixou numa entrevista ao Jornal de Letras.

A velha tradução

Vi esta notícia: com prefácio de Nicholas Shakespeare e usando a velha tradução de Maria Ondina Braga, a Casa das Letras reeditou um dos livros mais fascinantes da literatura inglesa, ‘O Cônsul Honorário’, de Graham Greene. Não se pode perder.
Lembrei-me de uma entrevista da Maria Ondina, creio que ao JL, em que ela se queixava amargamente das costas doridas depois de horas à máquina a trabalhar em traduções e na escrita e como era mal paga e como por vezes não lhe pagavam. A vida desta mulher e a sua pobreza são uma ofensa ao mercantilismo editorial, à exploração, à pouca vergonha. Dedicada às letras, viu-se na contingência de ter de suportar uma vida de modéstia. Não porque não tivesse público, mas apesar de o ter. Referiu na entrevista inesquecível que apenas de uma editora recebeu escrupulosamente. Notável!