
Graças à mão amiga da Júlia Coutinho, chegaram-me recortes de entrevistas a Maria Ondina Braga. São textos de uma vida dorida, cercada pela carência de afectos, de meios, de uma carícia de reconhecimento. «
Escrever foi única coisa que encontrei na vida», disse ela, num desses momentos. Viveu de traduções, ganhou com isso um magro pão. «
Como escrevo pela noite fora sempre poupo uma refeição. Não preciso de muita coisa para viver, já quase não se vive como eu vivo», disse numa entrevista a Maria Antónia Fiadeiro, publicada em 1982.
Agora, porque está morta, começam a surgir as homenagens: um prémio literário com o seu nome, mas só para os que nasceram em Braga ou morarem em Braga! Uma rua com o seu nome uma «
rua de horríveis caixotes de cimento», como se diz
aqui, falando, com tristeza da sua expiação.